A emergência da cidadania no mar revoltoso do liberalismo

Maria Neves Gonçalves, José Viegas Brás

Resumo


O Século das Luzes trouxe um novo imaginário social que pressupõe novos valores, como a crença no poder da razão e do saber, em oposição às categorias e ritos religiosos, que dominavam o homem antes do Iluminismo. Com a eclosão da Revolução Liberal, surge um novo regime político e, consequentemente, mudanças de valores e de modos de pensar e de agir, requisitos indispensáveis para a emergência da cidadania, passando o poder absoluto do rei para a nação. Nesta nova significação imaginária, a ideia de formar cidadãos, conscientes dos seus direitos e dos seus deveres cívicos, é sentida como uma necessidade educativa. Neste contexto, começa a defender-se que o propósito da existência da Humanidade é a vida em si mesma, em vez do serviço ao Rei ou a Deus. A participação, como construtora do bem-comum e da felicidade na aceção iluminista, tornaram-se nucleares. Assim, a questão norteadora deste trabalho é saber se, nas produções vintistas, a educação e a construção da cidadania já eram preocupação dos liberais. O objetivo deste artigo é compreender e analisar, na assunção de uma nova ordem liberal, a mensagem vintista sobre o papel da instrução e da cidadania para uma sociedade de bem-estar. O corpus documental foi o seguinte: Imprensa periódica e Catecismos Constitucionais. Na metodologia, fizemos uma análise documental e interpretativa das fontes utilizando os seguintes descritores: a conceção da educação e da cidadania e a participação dos cidadãos e o bem-estar. Concluímos que a ideia de Estado-Nação bem como a promulgação de uma Constituição foram nucleares para a construção da cidadania e para o bem-estar individual e coletivo.


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ISSN: 2183-1793